Pronação dolorosa: o que é e quando devemos nos preocupar?
A pronação dolorosa, popularmente conhecida como cotovelo de babá, é uma das lesões mais frequentes em crianças pequenas. Apesar de causar bastante preocupação aos pais, geralmente é uma condição benigna, de diagnóstico clínico e tratamento rápido quando reconhecida precocemente.
O que acontece no cotovelo?
A lesão ocorre quando uma força de tração é aplicada ao braço estendido da criança, provocando uma subluxação da cabeça do rádio através do ligamento anular.
Situações comuns incluem:
- Puxar a criança pela mão para evitar uma queda;
- Levantá-la segurando pelos braços;
- Brincadeiras em que a criança é balançada pelas mãos;
- Puxões repentinos durante caminhadas.
A maior incidência ocorre entre os 2 e 3 anos de idade, período em que as estruturas ligamentares ainda são mais frouxas.
Como a criança se apresenta?
O quadro costuma ser bastante característico:
- Dor súbita após um episódio de tração do braço;
- Recusa em usar o membro afetado;
- Braço mantido próximo ao corpo, levemente flexionado e rodado para dentro;
- Ausência de deformidade ou inchaço evidente.
Muitas vezes os pais relatam que a criança “parou de mexer o braço” de repente.

O diagnóstico precisa de radiografia?
Na maioria dos casos, não.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica e no exame físico.
Radiografias costumam ser reservadas para situações em que existe suspeita de outra lesão, especialmente fraturas.
Como é feito o tratamento?
O tratamento consiste na redução manual da subluxação, procedimento realizado no consultório ou pronto atendimento.
Existem duas técnicas principais:
Hiperpronação
Atualmente é considerada a técnica de escolha.
Com o cotovelo flexionado a aproximadamente 90 graus, realiza-se uma pronação firme do antebraço. Estudos demonstram taxas de sucesso superiores às da técnica tradicional de supinação-flexão, além de menor desconforto para a criança.
Supinação-flexão
Consiste em supinar rapidamente o antebraço seguida de flexão do cotovelo.
Embora ainda seja amplamente utilizada, apresenta menor taxa de sucesso quando comparada à hiperpronação. Após uma redução bem-sucedida, muitas crianças voltam a usar o braço espontaneamente em poucos minutos.
Quando a redução pode falhar?
Embora a maioria dos casos seja resolvida na primeira tentativa, ocasionalmente a redução não é bem-sucedida.
As principais causas incluem:
1. Diagnóstico incorreto
Nem toda criança que para de usar o braço apresenta uma pronação dolorosa.
Outras lesões podem simular o quadro, especialmente fraturas ocultas.
2. Tempo prolongado até o atendimento
Em alguns casos, o edema local pode dificultar a redução quando há demora para avaliação.
3. Interposição de estruturas anatômicas
Raramente, partes do ligamento anular ou tecidos adjacentes podem ficar interpostos, impedindo a redução completa.
4. Técnica inadequada
Quando pensar em fratura?
Alguns sinais devem levantar suspeita para diagnósticos alternativos:
Presença de edema
O cotovelo de babá normalmente não causa inchaço significativo.
Deformidade visível
Qualquer deformidade deve ser considerada fratura até que se prove o contrário.
Dor intensa localizada
Especialmente sobre clavícula, úmero distal, rádio distal ou região supracondiliana.
História incompatível
Queda de altura, trauma direto ou mecanismo de alta energia tornam o diagnóstico de pronação dolorosa menos provável.
Falha após duas tentativas de redução
Se a criança continuar sem utilizar o braço após duas tentativas adequadas de redução, recomenda-se imobilização e investigação complementar com exames de imagem.
Mensagem para os pais
Apesar do susto, a pronação dolorosa é uma condição comum e geralmente simples de tratar. O reconhecimento precoce do quadro permite resolução rápida e evita exames desnecessários.
Por outro lado, a presença de inchaço, deformidade, trauma importante ou falha nas tentativas de redução deve motivar uma avaliação mais detalhada para excluir fraturas e outras lesões do cotovelo.
Se seu filho parou de usar o braço após um puxão, procure avaliação médica para confirmação diagnóstica e tratamento adequado.
Referências
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Autora e responsável técnica: Dra. Karin Coca Aguilar CRM SP 214165 | RQE 125200 | Membro SBOT e SBOP

